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Geral : Brincar ajuda a descobrir o mundo
Enviado por Vera Lucia Swerts Manso em 10/05/2008 (4802 leituras)

Cultura de brincadeira Brincar não é apenas uma forma tola de a criança se distrair, passar o tempo. A integração entre jogo e cultura é tão grande que o historiador holandês Johan Huizinga (1872-1945) cunhou a expressão Homo ludens (homem que brinca). Segundo Huizinga, a noção de jogo influenciou todas as grandes realizações humanas.

Assim, as brincadeiras infantis são uma forma de integrar a criança ao nosso mundo, lúdico e competitivo. Brincando a criança descobre emoções e formas de se relacionar com o grupo. Também estimula a memória e o raciocínio, aperfeiçoa o uso da linguagem, afina a coordenação motora. Além disso, ao tomar decisões simples ("A boneca vai jantar ou tomar banho?"), a criança elabora as significações de cada ato. "Essa criança cresce e se torna um adulto mais bem sucedido, mais criativo, mais flexível e mais social", diz Tizuko Kishimoto, professora da faculdade de educação da USP. Hoje em dia é importante falar inglês e dominar computadores. Espanhol, francês e alemão são desejáveis. A prática de esportes garante boa saúde. Música e artes alimentam a alma. Bombardeados por um receituário rigoroso de lições para garantir o bom futuro dos filhos, os adultos às vezes esquecem que a obrigação primeira das crianças é brincar. "A sociedade tutela a criança em demasia e causa uma "adultização" precoce. As crianças têm agenda estressada, celular, computador. Não sobra tempo para brincar", diz Gisela Wajskop, diretora do Instituto Singularidades (de formação de professores) e doutora em educação pela USP (Universidade de São Paulo). "Segundo lar" das crianças, a escola também resiste à idéia de balancear o ganho mensurável das aulas de informática e balé com o ganho intangível do brincar. "Infelizmente, dentro da tradição formal dos currículos, a escola desvaloriza o brincar", diz Maria Aparecida Zamberlan, doutora em psicologia escolar pela USP e docente da pós na UEL (Universidade Estadual de Londrina). Mas saber e brincar não são antagonistas. Os pais com consciência disso suam para encontrar escolas que conciliem brincadeiras a lições diversas. "Preferi uma escolinha com muitos brinquedos, que desenvolvesse a curiosidade", explica Ana Carolina Martins, 26, mãe de Maria Clara, de 21 meses. "Crianças precisam de oportunidades lúdicas para aprender baseadas na curiosidade", corrobora Jane Perry, do Harold E. Jones Child Study Center, da Universidade da Califórnia (EUA). Agenda negociada Com tantos argumentos, às vezes pode ser mais fácil para os pais do que para as crianças entenderem a necessidade do brincar. Não raro, são os pequenos que insistem em lotar a agenda, como os irmãos Guilherme, 11, e Arthur Formon, 9, que dividem o tempo entre escola (onde ficam em período integral e fazem artes plásticas, caratê e capoeira), clube (esportes), e casa, onde o videogame monopoliza atenções. Arthur também pratica violão. "Fui eu que escolhi. Gosto de tocar rock." Segundo especialistas, assentir que a criança controle sua própria agenda pode até ser incentivado. "Porém é preciso cautela. Um curso de violão pode revelar identificação com a música, mas algumas atividades podem ser escolhidas só para seguir um amiguinho", diz a psicopedagoga Angela Maluf, autora de "Brincar - Prazer e Aprendizado" (ed. Vozes). Como em tudo na vida da criança, os pais devem ser os árbitros finais. RENATO ESSENFELDER EDITOR-ASSISTENTE DE SUPLEMENTOS MARIANA IWAKURA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

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